CORTE

01.04.2019

A série sem fim. 

 

Comecei a desenvolver essa série no início do ano passado. 

O tema ganhou espaço em minhas pesquisas, suspeito que sintetizando e ajudando a definir e nortear o que tento dizer nos processos artísticos que realizo. 

 

 

 

 FOTOGRAFIAS DO PROCESSO DE CRIAÇÃO DE CORTES FEITOS POR THIAGO BRITTO

 

 

Ainda que a arte no corpo hoje passe por um processo de crescente aceitação por conta das perspectivas sociais que estão sendo revistas — mesmo que transvestida de um cuidado burguês inacessível às classes operárias —,  no que diz respeito ao hábito do conforto, a prática da tatuagem permanece acessando a mesma perspectiva física: a dor.

 

A arte que desenvolvo caminha na estética do sutil. Mas feito fina lâmina afiada, questiona valores, hábitos e morais. Pois proponho aqui arte nos corpos, o que envolve dor, desconforto, sangue e cicatrização.

 

 

 

 

 

 

Dançando pelas lógicas de comportamento, criando espaços que nos provocam o sentir, entramos em contato conosco e a sensação tátil da dor nos proporciona a certeza: estamos vivas! E isso nos provoca a repensar nossa própria existência. Nos permite produzir deslocamentos. 

 

Acredito que o momento de dedicação e entrega ao processo artístico, seja um espaço de comunicação com as nuances sutis da vida. Algo como a meditação. 

Nesse processo, o que acontece no movimento, no corpo e na mente é fixado em imagem, seja sobre o papel ou a pele. 

Esse ato diz o que até agora não encontrei palavra que o traduza.

A busca por equilíbrio, a beleza dos contrates, o sutil e o intenso, a dor e a transcendência, o divino e o profano.

 

 

 

 FOTOGRAFIAS POR THIAGO BRITTO

 

 

 

A série CORTE nasce da necessidade de transbordar as rupturas, os cortes, os desconfortos. Ao mesmo tempo expô-los, aceitá-los e absorvê-los para, à partir disso, transformar em flores e transcendências. Cicatrizações e curas. 

 

Ainda que deixe aberta a escolha da pessoa, a realização da tatuagem com ou sem a escarificação, a proposta funde estética e conceito. Propondo que o objeto de arte seja identificado pra além da imagem, que leve em consideração a performance, o experimento, o tato e a retomada aos ambientes comuns, vestida dessa nova imagem: tatuada.

 

Proporcionando assim, a autorreflexão e a descoberta autoral do processo artístico; ser tatuada e ser a artista e o resultado desse caminho contínuo de autorreflexão, agente da micropolítica, que se opera de si pra si, diariamente em prol do desenvolvimento e crescimento íntimo e social e que só acaba na morte.

 

 

 FOTOGRAFIAS POR THIAGO BRITTO

 


Não defini data de fechamento ou número máximo de peças para essa série, estando aberta para adicionar uma nova flor sempre que houver um novo corte.

 

Para viver liberdade, ver nascer flor dos cortes, é preciso força e enfrentamento.

E a sublime coragem de ser artista e obra da própria existência e assim, somente à partir de uma vida autônoma, viver a liberdade. 

 

 

 

Veja todas as peças da série CORTE clicando aqui.

 

 

 

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